Mega Loteria da Saúde
O Prêmio Nobel
tem feito mais pela Ciência e Cultura da
Humanidade do que muitos governos conseguiram com programas de apoio e
incentivo à Pesquisa e Desenvolvimento. Seu exemplo poderia ser apropriado pela
UNESCO ou entidades similares para um programa maior de incentivo ao
desenvolvimento de soluções a favor da saúde e dignidade do ser humano.
Entidades internacionais, grandes fundações, empresas e
sistemas lúdicos (loterias, por exemplo) poderiam formar um grande consórcio
para estímulo e apoio à Ciência dedicada às pessoas com deficiência, lembrando
sempre que muitas atividades empresariais e esportivas geram um fluxo contínuo
lesões e PcD.
O corpo humano parece que deixa de ser tabu, lugar cheio de
preconceitos e intocável. O cérebro, principalmente, agora é visto como um
tremendo computador que merece estudos e “descobertas” que poderão resolver inúmeros
problemas que afligem a Humanidade.
Da surdez à tetraplegia passando por todas as limitações
geradas por lesões e doenças, tudo poderá ser objeto de trabalhos científicos (e
é) e empresariais mais eficazes se a tudo isso dedicarmos, por exemplo,
recursos semelhantes ao que usamos no futebol, um esporte que se transformou em
espetáculo de mau gosto e qualidade ética duvidosa.
A Ciência avança inexoravelmente; o volume de conhecimentos
cresce velozmente assim como novas ferramentas e processos técnicos permitem
exames inimagináveis há poucos anos.
Falta pouco para termos saltos magníficos na solução de
problemas graves que nos afligem.
O que é essencial é a criação de um processo educativo,
cultural e emocional a favor do desenvolvimento da Medicina e todas as ciências
que lhe dão suporte, isso sem falar na prevenção [(Reurbanização Inclusiva). (Cascaes, Cidade do Pedestre), etc.].
Muitas atividades humanas sobrecarregam hospitais,
sanatórios, ambientes de reeducação e assistência além de orçamentos sempre
insuficientes na área da Saúde.
Com certeza poucos lamentarão algum imposto a favor da saúde
universal se esse dinheiro for melhor usado do que o arrecadado com a
famigerada CPMF. A venalidade e a leviandade de governantes assustam, mas, quem
sabe, dentro de um acordo internacional conduzido pela UNESCO ou alguma
entidade semelhante tenhamos a fonte dos recursos que nossos cientistas
precisam.
Muitos grandes centros de pesquisa e desenvolvimento
trabalham e procuram soluções. O que não podemos esquecer, contudo, é a raridade
dos “super gênios”. Até em livrarias
comuns encontramos livros com a biografia de pessoas que mudaram o mundo. O que
falta para turbinar grupos de cientistas realmente dispostos e competentes?
Aliás, lendo um artigo da “Seleções do Readers Digest” de um
número publicado em 1955 (Mudd, 1955) vimos muito mais que
questões de gênero (assunto que minha esposa adora e pesquisa); sentimos o que
significa o apoio e incentivo a grandes cientistas até no ambiente familiar.
Temos soluções possíveis para tudo.
Pensando na deficiência física e a frustração da Deputada
Federal Mara Gabrilli (Miami Project to cure paralysis, maior centro de
pesquisa de cura de paralisias do mundo, 2014), com quase setenta
anos de vida dedicada à Tecnologia e Engenharia podemos afirmar que a esperança
é muito grande de se descobrir e desenvolver soluções a favor das pessoas com
deficiência, assim como para inúmeros problemas que atormentaram nossa geração.
Para aceleração de processos e projetos devemos, contudo,
estimular a sinergia e funcionalidade de grandes centros de pesquisa e, acima
de tudo, a vontade dos gênios que a Humanidade contém.
Que tal criar uma
loteria internacional para premiação desses pesquisadores e dos seus locais de
trabalho?
Cascaes
31.1.2014
Mudd, D. E. (outubro de 1955). O Mais Belo Papel da
Mulher. Seleções do Readers Digest, 165, 53, 54.